sábado, 12 de julho de 2008

Correio Braziliense Petróleo no Nordeste
Petrobras comunica à ANP descoberta de óleo na Bacia de Potiguar. Brasil deve retomar leilão de áreas de exploração ainda este ano

A Petrobras encontrou petróleo em terra no Nordeste. A descoberta, localizada no bloco BT-POT-4, na Bacia de Potiguar, foi comunicada ontem à Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis. A estatal, porém, ainda não informou o potencial da reserva e quando poderá confirmar a comercialidade do bloco.

Na terça-feira a Petrobras já tinha comunicado à agência que encontrara indícios de óleo em outro poço em terra localizado no Nordeste, no caso no bloco REC-T-31, na Bacia de Tucano. Também fica no Nordeste o primeiro poço com exploração em águas profundas de óleo de alta qualidade. O início da extração do óleo, no poço Piranema, a 25km da costa de Sergipe, se deu em outubro do ano passado.

Ainda ontem, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que vai encaminhar em agosto uma recomendação à ANP para que retome a oitava rodada de leilões de blocos de exploração e realize, ainda este ano, a 10ª licitação.

“Mês que vem encaminharei uma portaria à ANP recomendando a oitava rodada e outros leilões no território de fora do pré-sal”, disse Lobão. Há menos de um mês o ministro afirmou que nenhuma das duas rodadas seria realizada em breve.

A oitava rodada foi paralisada em 2006 pela Justiça, que acatou ações de investidores que não aceitaram a mudança promovida pela ANP limitando o número de áreas que poderiam ser compradas por cada empresa. A previsão inicial incluía entre os blocos áreas que hoje estão na borda do pré-sal — camada de sal a 5km de profundidade, abaixo da qual a Petrobras encontrou petróleo de alta qualidade. Depois da oitava rodada, o governo ainda realizou com sucesso a nona licitação, em 2007, mas retirou dela blocos do pré-sal.

“Vamos promover leilões para o território e para as franjas do pré-sal. No pré-sal, só depois do marco regulatório”, completou Lobão, que acredita que ainda haverá tempo hábil para a ANP retomar a oitava rodada e realizar a 10ª neste ano. “Ainda dá tempo. Se não der, faz o edital neste ano e realiza no início de 2009”, disse o ministro.

Lobão voltou a defender que a atualização do marco regulatório inclua mudanças no sistema de pagamento de royalties. “Essa riqueza pertence a todo o povo, não pode ficar circunscrita a alguns estados ou municípios. Não queremos prejudicar Rio, Espírito Santo, Rio Grande do Norte ou outros estados mexendo na configuração da cobrança e na distribuição dos royalties”, disse.

Correio Braziliense REFORÇO NO HAITI
Soldados para reconstrução

O Senado brasileiro aprovou o envio ao Haiti de 100 oficiais de Engenharia do Exército, que se unirão em breve à missão de paz das Nações Unidas e trabalharão na construção da infra-estrutura no país caribenho. O reforço das tropas brasileiras foi proposto pelo governo em fevereiro. Em junho, foi aprovado pela Câmara dos Deputados e, ontem, recebeu o sinal verde do Senado. Com essa decisão, o número de militares brasileiros no Haiti aumentará para 1.313. O Brasil está no comando das tropas da Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (Minustah), formada por cerca de 6.700 militares e 1.600 policiais de 20 nações.

Correio Braziliense AMÉRICA DO SUL
Uribe e Chávez juntos para fazer as pazes
Presidente venezuelano convida o vizinho colombiano a superar as divergências causadas pelo combate às Farc. Eles se reúnem hoje

Depois de meses de crise diplomática e troca de farpas com o vizinho venezuelano, Hugo Chávez, o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tem um encontro hoje com o antigo desafeto na cidade de Coro, no estado Falcón, noroeste da Venezuela. O colombiano não deve passar mais de sete horas no país. Além de discutirem comércio bilateral, os governantes prometem dar por encerradas as desavenças causadas pelo cerco de Uribe à guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc). Segundo o presidente anfitrião, que no auge da crise chegou a falar em guerra, ambas são “pátrias irmãs”.

Uribe e Chávez se reúnem com foco especial em projetos de infra-estrutura e de cooperação fronteiriça. Esse será o primeiro encontro privado entre os dois desde o bombardeio colombiano que matou o porta-voz das Farc, Raúl Reyes, em 1º de março, num acampamento dos rebeldes em território equatoriano. A atitude levou a Venezuela a sair em defesa da soberania equatoriana e despachar tropas para a fronteira com a Colômbia.

Depois de, nos últimos meses, ter se referido a Uribe como “marionete” de Washington, “mentiroso”, e de tê-lo acusado de manter relações com paramilitares, Chávez surpreendeu a todos com o convite ao chefe de Estado da Colômbia. “Eu convido o presidente para dar-lhe a mão, para conversar e buscar uma integração, respeitando as particularidades, pois a Colômbia é uma pátria irmã”, declarou.

Em comunicado, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou que o país tem o objetivo de recuperar um diálogo “respeitoso e construtivo” com o governo colombiano. Por sua vez, Uribe disse que espera “estreitar os vínculos com o povo irmão da Venezuela” e “dar um impulso na agenda”. No encontro serão tratados o restabelecimento da cooperação nos mais de 2 mil km de fronteira comum, onde o narcotráfico, a presença de guerrilha e o contrabando exigem maior troca de informação. Os presidentes também visitarão a refinaria de Paranaguá e devem assinar um compromisso para a construção conjunta de uma ferrovia que cortará os dois países, segundo fontes diplomáticas.

Chávez criticou ontem o Partido Comunista da Venezuela — aliado de seu governo —, que programou um protesto contra a visita de Uribe. No entanto, ele não proibiu a passeata. O mandatário venezuelano tem viagem marcada para a Rússia em 22 de julho para a obtenção de um pacote amplo de armamentos, que inclui mísseis antiaéreos, mísseis ar-terra, tanques T-95 e submarinos da classe Amur. A Venezuela já comprou várias armas russas, entre elas aviões caça Sukhoi e 100 mil fuzis Kalashnikov.

Eleito pela primeira vez em 1999, Chávez enfrenta um momento complicado no governo. A popularidade dele, que já passou dos 80%, é hoje de 51,8%. A inflação alta e as derrotas que sofreu na política externa forçam uma mudança de rumo e um tom mais amigável com os vizinhos. O venezuelano foi afastado por Uribe da mediação com as Farc em 2007, por conversar diretamente com a cúpula militar da Colômbia sem a permissão do presidente. Sua intervenção para libertar a ex-senadora Ingrid Betancourt não foi necessária. Para piorar, Bogotá revelou documentos comprometedores no computador de Reyes que apontam para uma relação suspeita entre Chávez e dirigentes da guerrilha.

Para José Flávio Sombra Saraiva, professor de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB), apesar de Uribe já ter expressado que não concorda com o entendimento da Venezuela com as Farc, ele precisa, por motivos eleitorais, entre outros, da aliança com Chávez. De acordo com o professor, a Colômbia está isolada na região. “O momento é altamente positivo para tentar parcerias devido à legitimidade política e apoio popular que Uribe está recebendo da população colombiana, especialmente após o resgate de Ingrid Betancourt. Por outro lado, Chávez não tem mais o vigor de um ano atrás e é alvo de muitas críticas. Só o petróleo não constrói um país industrializado”, explicou Saraiva.

RETORNO ADIADO
A ex-refém das Farc Ingrid Betancourt ainda não pensa em voltar para a Colômbia por medo de sofrer um novo ataque. “Tenho de ser prudente. A guerrilha pode querer se vingar”, afirmou a franco-colombiana em entrevista ao canal de TV norte-americano NBC. “Minha família passou por tempos horríveis e não tenho o direito de destruir nossos sonhos agora que, por fim, podemos estar juntos.” Libertada pelo Exército colombiano no último dia 2, junto a outros 14 reféns das Farc, a ex-senadora disse ser colombiana do fundo do coração, amar seu país e querer servi-lo. Ingrid prometeu colaborar para a libertação das centenas de pessoas que ainda estão em poder da guerrilha. “A única coisa que me importa agora é ajudar os que estão sofrendo na selva.”

Folha de São Paulo COLUNA JOSÉ SARNEY
A Quarta ou a Quinta

A COMEÇAR pelos fenícios, as potências mundiais sempre foram potências navais. Com o fim da Idade Média, Portugal, Espanha, Holanda, França e Inglaterra dominaram os mares. Portugal foi ultrapassado no final do século 16 pela Holanda, que chegou com seus navios leves e velozes. Os ingleses, com a novidade das fragatas com duas fileiras de canhões, levaram de roldão portugueses, espanhóis e holandeses, e nasceu o formidável Império Britânico. Hoje, 90% do comércio mundial circula pelos mares. Os Estados Unidos distribuíram suas frotas em todos os pontos estratégicos dos oceanos. A Segunda e a Terceira Frotas são responsáveis pela defesa dos interesses americanos nos oceanos Atlântico e Pacífico, respectivamente. A Quinta Frota, que cobre o golfo Pérsico, o mar Vermelho e o mar Arábico, acompanha as tensões do Oriente Médio e já chegou a contar com nada menos do que cinco porta-aviões americanos, em 2003. A Sexta Frota é baseada no Mediterrâneo, e a Sétima, no Japão. A Primeira Frota foi desativada em 1973. E agora os EUA querem reativar a Quarta Frota, que ficará responsável pelo Atlântico Sul. A China, que sempre foi uma potência terrestre, tornou-se hoje uma potência naval. Uma de suas tarefas é proteger suas rotas de comércio, especialmente as do petróleo e de seu fluxo gigantesco de exportação.

Patrulha permanentemente os 800 quilômetros do estreito de Malaca, hoje infestado de piratas modernos. O aspecto econômico-comercial certamente também pesou na decisão americana de reativar a Quarta Frota no Atlântico Sul, com a perspectiva de que a região se torne um dos grandes centros produtores de petróleo, devido às recentes descobertas de jazidas. Em 1986, o meu governo propôs à ONU a criação de uma Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul. Esta proposta, aprovada pela Assembléia Geral das Nações Unidas em 27 de outubro daquele ano, por meio da Resolução n.º 41/11, torna o Atlântico Sul uma zona de paz, livre de armas nucleares. Esta resolução do Brasil teve 124 votos a favor e um único voto contra, o dos Estados Unidos. Nossa preocupação continua válida. Sou um pacifista e hoje, como ontem, sei que ninguém impedirá navios americanos de navegar em todos os mares internacionais, mas não posso concordar que transitem por aqui com armas nucleares. E todos eles as têm. Essa deve, objetivamente, ser a posição do Brasil: ver cumprida a resolução aprovada pela ONU em 1986. Necessitamos desta clara garantia. No mais, eles não precisam de Quarta. Já têm a Quinta, a Sexta e até o Sábado de Aleluia.

Folha de São Paulo TODA MIDIA
Irã, Nigéria, Brasil / Agora, em terra / E potencial nuclear
Nelson de Sá

Irã, Nigéria, Brasil
A secretária de Estado ameaçou o Irã, no "New York Times"; a Opep avisou que é impossível substituir o petróleo do Irã, no "International Herald Tribune"; e o "Wall Street Journal" deu como manchete, ontem à noite no site, a nova disparada do petróleo.

Registre-se que a agência Reuters, ontem sobre a nova alta, chegou a dar o enunciado "Oil rises on Brazil strike threat, Iran", o petróleo sobe por causa da ameaça de greve no Brasil e do Irã. Depois acrescentou a Nigéria às "ameaças à produção".

Agora, em terra
Em destaque no portal iG e no site de "O Estado S.Paulo", "Indícios de petróleo são encontrados no Nordeste". A Petrobras teria comunicado à agência de petróleo que foi achado "um poço em terra" na bacia do Potiguar e outro na bacia do Tucano.

E potencial nuclear
O site Market Watch, do "WSJ", destacou ontem relatório da Research and Markets, intitulado Potencial de Mercado da Energia Nuclear do Brasil. No enunciado, "fique por dentro" do décimo mercado consumidor de energia no mundo.

Folha de São Paulo AMÉRICA LATINA
Argentina cobra explicação sobre Quarta Frota
Adriana Küchler

Aproveitando a visita do secretário-adjunto de Estado dos EUA para o Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon, funcionários do governo argentino pediriam ontem explicações sobre a reativação da Quarta Frota americana nas águas da América do Sul e do Caribe.

"Estamos preocupados com o tema da Quarta Frota (...), pois não sabemos por que está sendo reativada e qual é seu sentido", disse o vice-chanceler argentino, Victorio Taccetti, à imprensa local, antes da visita de Shannon. "Vamos comunicar essa preocupação e pedir ao enviado de Washington que explique o alcance da decisão."

Os EUA argumentam que a frota não tem capacidade ofensiva e que seu principais objetivos são ajuda humanitária e combate ao tráfico de drogas.

Shannon teria na noite de ontem um encontro com a presidente Cristina Kirchner.

O Globo Ministro diz que tráfico incentivou protesto em morro
Governo federal quer acordo na Justiça com parentes de vítimas

BRASÍLIA e RIO. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou ontem que parte das reações contra a ocupação militar no Morro da Providência partiu de traficantes. De acordo com o ministro, a presença do Exército no local teria enfraquecido a facção que domina a comunidade, o que teria motivado manifestações contrárias aos militares.

- A presença das Forças Armadas no morro determinou uma redução no uso do local como ponto do tráfico. Portanto, temos que entender que as reações, misturadas à disputa eleitoral municipal, foram em grande parte dirigidas pelo próprio tráfico - disse Jobim, que voltou a defender a presença do Exército na Providência, onde, no dia 14 do mês passado, três jovens foram assassinados após serem entregues por militares a traficantes do Morro da Mineira, dominado por uma facção rival.

Jobim disse que o governo não vai mais enviar um projeto de lei para estabelecer uma pensão vitalícia para os parentes dos jovens mortos. Mais tarde, o ministério divulgou uma nota esclarecendo que, apesar disso, não desistiu da indenização. Segundo o texto, a questão terá de ser tratada através de um acordo na Justiça, uma vez que as famílias entraram com uma ação contra a União.

O Globo A fraude do míssil

Conhecido pela postura desafiadora em relação à pressão do Ocidente e temido pelo seu programa nuclear, o governo do Irã ontem exibiu uma outra face. Uma foto divulgada pela Guarda Revolucionária iraniana que mostrava o lançamento de quatro mísseis foi, ao que tudo indica, alterada para encobrir uma falha de um dos lançadores. A fraude, que enganou alguns dos principais meios de comunicação do mundo, colocou em xeque o teste de mísseis de quarta-feira, e mesmo uma segunda leva de testes anunciada ontem.

Uma foto do lançamento simultâneo de quatro mísseis foi divulgada quarta-feira pela Sepah, o braço midiático da Guarda Revolucionária (força armada de elite), e distribuída internacionalmente pela agência AFP. Ontem, porém, especialistas apontaram fortes indícios de fraude.

- Parece que o Irã alterou a foto para encobrir, aparentemente, o mal funcionamento de um dos mísseis - disse Mark Fitzpatrick, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres. - O propósito deste teste foi enviar um sinal. Assim, o Irã exagerou com declarações a capacidade do míssil e alterou as fotos também.

A foto foi publicada na capa de jornais de todo o mundo, como o americano "Los Angeles Times", o espanhol "El Mundo", o argentino "Clarín" e diários brasileiros. Ontem, a agência AP divulgou a foto antes da modificação. Estão visíveis três mísseis no ar e um ainda no lançador.

A revelação da fraude levou a uma onda de descrédito sobre as alegações iranianas sobre seu arsenal de mísseis balísticos.

- Não posso fazer comentários sobre esta foto, mas seria errado presumir que a inteligência dos EUA aceita como verdade o que os iranianos divulgam sobre seus testes de mísseis - disse uma fonte da espionagem americana.

EUA e Israel alertam Irã sobre ameaças
Ontem, fontes do Departamento de Defesa dos EUA disseram que não foram nove os mísseis testados pelo Irã quarta-feira, mas sete. Destes, só um seria o Shahab-3 (não uma nova versão deste míssil), que pode atingir Israel e outros países do Oriente Médio. Mas as alegações de que o míssil percorreria dois mil quilômetros carregando ogivas nucleares de uma tonelada, como fora anunciado por Teerã, foram rechaçadas ontem.

- O Shahab-3 normalmente tem alcance de 1.300 quilômetros, e pode ser estendido para dois mil. Mas isso requereria uma ogiva bem mais leve - disse Fitzpatrick.

Alheio à revelação da fraude, o Irã revelou detalhes de novos testes na noite de quarta-feira. De acordo com TV estatal, foram testados mísseis terra-mar, terra-terra, mar-terra e torpedos de alta velocidade. Além disso, dez mísseis balísticos teriam sido disparados durante a noite.

- A manobra traz poder para o Irã e é uma lição para os inimigos - disse Mohammad Ali Jafari, comandante da Guarda Revolucionária.

Fontes do Pentágono afirmaram que foi registrado o lançamento de apenas um míssil:

- Parece que um míssil foi lançado, mas esse pode ser, muito bem, aquele cujo lançamento fracassou na véspera e que (os iranianos), finalmente, tornaram operacional e lançaram.

Seja como for, Israel e EUA levaram a sério os testes iranianos. Durante visita à Geórgia, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, perguntada sobre um possível ataque a Israel, alertou:

- Defenderemos os interesses americanos e os interesses de nossos aliados.

Em Israel, o ministro da Defesa, Ehud Barak, declarou:

O foco agora são as sanções e a ação diplomática. Mas, Israel já provou que é o país mais forte da região e não teremos medo de agir caso nossa segurança esteja ameaçada.
O Globo Porque os recifes são importantes

SERVIÇOS: Os recifes de corais prestam numerosos serviços à Humanidade. Eles são importantes para a indústria do turismo. Também são o lugar de reprodução e alimentação de muitos peixes, moluscos e crustáceos de valor comercial ou espécies em extinção, caso de algumas baleias. Estima-se em US$30 bilhões o valor dos serviços prestados pelos recifes de corais a cada ano.

PROTEÇÃO: Os recifes coralinos protegem muitas regiões costeiras do impacto de tempestades, como furacões, e até de tsunamis. Na Grande Tsunami do Índico, em 26 de dezembro de 2004, localidades protegidas por recifes de corais em Sri Lanka, Indonésia e Tailândia sofreram um impacto bem menor das ondas gigantes do aquelas expostas à fúria do oceano.

O Globo Abrolhos pode ter o dobro do tamanho
Descoberta em águas profundas uma extensa área rica em biodiversidade
Carlos Albuquerque

A maior cadeia de recifes de corais do Atlântico Sul pode ser ainda maior do que se imagina. Pesquisadores brasileiros anunciaram ontem, durante o Simpósio Internacional dos Recifes de Coral , na Flórida, a descoberta de uma grande área no Banco de Abrolhos, no sul da Bahia. Localizado em águas profundas da região - que inclui o Parque Nacional de Abrolhos - o ambiente aponta para uma rica biodiversidade ainda inexplorada. A revelação, dizem os cientistas, reforça a importância de políticas de conservação e manejo no local, que tem 46 mil quilômetros quadrados e abriga várias espécies, algumas ameaçadas de extinção.

- O que descobrimos é que Abrolhos pode ter o dobro do tamanho até então conhecido - explica o biólogo Rodrigo Leão de Moura, da Conservação Internacional (CI), um dos autores da pesquisa, desenvolvida em conjunto com a Universidade Federal do Espírito Santo e Universidade Federal da Bahia. - Embora ainda falte explorar essa nova área, sua descoberta significa que devemos reforçar a conservação da região e promover o seu uso de forma sustentável.

O trabalho de investigação dessa área, em ambientes com profundidades que variam entre 20 e 70 metros, começou em 2000, graças às informações dadas por pescadores que atuam na região.

- Começamos a perceber que os peixes estavam sendo trazidos de regiões que ainda não se tinha noticia e que não estavam mapeadas - revela o pesquisador.

Até então, lembra Moura, a maior parte das áreas de recifes mapeadas em Abrolhos ficava em águas rasas porque representavam perigo para a navegação.

- Depois desses avisos dos pescadores, começamos a fazer explorações preliminares na região. Fizemos alguns mergulhos e constatamos que os recifes existiam mesmo. E percebemos imediatamente que havia muita vida marinha ali. Foi surpreendente. Em alguns deles, encontramos trinta vezes mais biomassa do que em alguns recifes costeiros mais conhecidos.

Nos quatro anos seguintes de pesquisa, os cientistas trabalharam com navios equipados com sonares de varredura lateral.

- Esse sonar emite um feixe lateral de sons. Depois, ele mede o retorno desses sons. Como cada tipo de estrutura de recifes traz um retorno diferente do som, ele consegue fazer um desenho a partir de cada uma dessas ondas sonoras. É um mecanismo semelhante ao usado pelos golfinhos.

De acordo com o pesquisador, embora o estudo ainda esteja numa fase inicial, um fato importante chama a atenção.

- A tecnologia existe para os dois lados. Os pescadores também contam com recursos, como o GPS, que permitem que eles marquem uma área e voltem a ela seguidamente. Por isso, devemos agora não apenas estudar a biodiversidade dessa área, mas conciliar a sua conservação com o seu uso sustentável pela indústria pesqueira. É essa a equação que temos pela frente.

Valor Econômico Chávez vai à Rússia

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou que viajará na próxima semana à Rússia e outros países europeus para estreitar alianças políticas e militares. Ele disse que estará em Moscou em 22 de julho, atendendo a um convite do presidente russo, Dmitri Medvedev, para supervisionar um sistema de tanques de guerra que a Venezuela pode vir a adquirir. Chávez afirmou que a Rússia oferece facilidades de crédito para a aquisição de equipamentos militares que são de seu interesse para potencializar as Forças Armadas. Nos últimos anos, a Venezuela adquiriu aparatos bélicos da Rússia por um montante superior a US$ 3 bilhões, incluindo aviões Sukhoi-30, helicópteros e fuzis.
O Globo Espião aéreo para deter os aiatolás
Em resposta a teste de mísseis, Israel apresenta seu novo avião de espionagem
Renata Malkes

TEL AVIV. A demonstração do poderio balístico iraniano no Estreito de Ormuz levou os israelenses a uma guerra psicológica contra Teerã. Numa tentativa de medir forças com o possível adversário, a Indústria Aeroespacial de Israel (IAI), órgão governamental responsável pela produção de tecnologia aérea de ponta, apresentou ontem o novo avião-espião Eitam, equipado com um sistema eletrônico de última geração, capaz de voar longas distâncias a grandes altitudes sem ser detectado. O avião já está em uso pela Força Aérea desde fevereiro, mas de acordo com a rádio do Exército, foi exibido em público em resposta às ameaças iranianas.

Além de captar informações, a aeronave, segundo analistas, seria o "cérebro" de qualquer esquadrilha que viesse a atacar o Irã, atuando na supervisão dos modernos caças Sufa F-16I que comandariam a ofensiva aérea. A arma é baseada num jato Gulfstream de fabricação americana, que chegou a Israel em 2006 e, desde então, passou por uma reforma eletrônica, ganhando o nome de Eitam. Os israelenses desenvolveram um sistema de radar eletrônico capaz de operar em duas freqüências, o que torna praticamente impossível sua identificação. Segundo o porta-voz da IAI, Doron Suslik, trata-se do avião mais moderno da categoria, dono de mecanismo de autodefesa e capacidade de distinguir aeronaves amigas de inimigas. O sistema será revelado no domingo, durante uma exposição em Londres.

- Entregamos as primeiras unidades à Força Aérea em fevereiro. Todos os testes foram bem-sucedidos, e recebemos uma boa avaliação do comando militar - disse Suslik ao GLOBO.

Na base aérea de Ramon, no sul de Israel, o treinamento para um eventual ataque ao Irã tem sido intensivo. Em entrevista ao canal 10 da TV israelense, o comandante da esquadrilha de caças F-16I disse que pilotos e técnicos têm trabalhado não só em simulações de ataque, mas também de defesa. Especula-se que, em caso de conflito, os iranianos direcionem seus mísseis não só às grandes áreas urbanas, mas às bases aéreas, bombardeando as pistas para impedir o pouso e a decolagem das aeronaves.

O Globo Marcados para morrer
Um terço dos recifes de corais do planeta está ameaçado de extinção

Afetados por mudanças climáticas, poluição e pesca predatória, muitos corais estão em perigo. Um terço dos recifes de corais de todo o planeta está ameaçado de extinção. A região do Caribe é a que apresenta a mais alta concentração de corais ameaçados. É o que revela o primeiro levantamento global para determinar o seu status de conservação. Os resultados do estudo foram publicados hoje pela revista "Science".

- As descobertas são desconcertantes - afirmou Kent Carpenter, principal autor do estudo e membro do Programa de Espécies Ameaçadas da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). - Quando morre um coral, morrem também outros animais que dependem dos recifes de coral para o seu alimento e abrigo. Isso pode levar ao colapso de ecossistemas inteiros.

Construídos ao longo de milhões de anos, os recifes de coral são o habitat de mais de 25% das espécies marinhas, configurando-se como o ecossistema marinho com maior diversidade biológica. Os corais constroem recifes em águas rasas tropicais e subtropicais e têm-se mostrado altamente sensíveis a mudanças em seus ambientes. Milhões de pessoas em todo o planeta dependem desses ecossistemas para o seu sustento, seja através da pesca ou do turismo.

Os pesquisadores apontaram como principais ameaças aos corais o aquecimento global e alterações locais decorrentes da pesca predatória; o declínio na qualidade das águas por causa da poluição e da ocupação desenfreada da zona costeira.

As mudanças climáticas, lembram os pesquisadores, aumentam a temperatura da água e a intensidade da radiação solar, o que leva à descoloração dos corais e a doenças que, freqüentemente, acarretam na mortalidade em massa desses corais.

- Esses resultados mostram que os corais que formam recifes enfrentam uma ameaça de extinção mais grave do que a de todos os grupos terrestres, exceto anfíbios, e são o grupo mais vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas - diz Roger McManus, vice-presidente de programas marinhos da Conservação Internacional.

Acidez da água prejudica formação dos corais
Os pesquisadores prevêem que a acidificação dos oceanos é outra séria ameaça aos recifes de coral. Como os oceanos absorvem volumes cada vez maiores de dióxido de carbono da atmosfera, a acidez da água aumenta e o pH diminui, o que prejudica gravemente a capacidade de os corais construírem seus esqueletos, que formam as fundações dos recifes.

- Ou reduzimos nossas emissões de CO2 agora ou muitos corais serão perdidos para sempre - alerta Julia Marton-Lefèvre, diretora-geral da IUCN. - A melhoria da qualidade das águas, educação em nível global e recursos adequados destinados a práticas locais de conservação são também fundamentais para proteger as fundações dos valiosos ecossistemas que existem nos recifes de corais.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

O Estado de São Paulo PF propõe RG nacional para combater fraudes
Documento começa a ser distribuído em janeiro
Vannildo Mendes

Cerca de 10% de 160 milhões de carteiras de identidade que circulam no Brasil são falsas. São 16 milhões de documentos frios que seguem ativos, em parte, devido à negligência das famílias e dos cartórios em dar baixa em casos de morte, mas principalmente por golpistas da Previdência, eleitores fantasmas e estelionatários em geral. Agora, o Instituto Nacional de Identificação (INI), da Polícia Federal, elaborou um modelo de documento que será debatido hoje num seminário em Brasília. O evento reúne especialistas em identificação e autoridades como o vice-presidente José Alencar e os ministros da Justiça, Tarso Genro, da Defesa, Nelson Jobim, e da Previdência, José Pimentel.

O encontro é preparatório para a aposentadoria da velha carteira de identidade no Brasil. Projetado com alta tecnologia digital de segurança, o novo documento começa a ser distribuído em janeiro e se chamará Registro Único de Identidade Civil (RIC). Será sofisticado e praticamente imune a fraudes. "Os benefícios são incontestáveis para a economia e o combate ao crime", diz o diretor do Instituto, Marcos Elias de Araújo.

Hoje, cada Estado produz o seu modelo de identidade e não há um cadastro nacional que impeça duplicidade de registros. A PF já encontrou pessoas com mais de 20 carteiras de identidade, de Estados diferentes.

Nos próximos dias, o governo vai regulamentar o RIC, criado por projeto de lei em 1997. A migração será obrigatória - mas o prazo para isso será de até nove anos. O projeto do RIC prevê fundos complexos e efeitos ópticos especiais, além de chip que armazenará os dados do cidadão. "Será altamente seguro", disse o diretor, ressaltando que o RIC terá impacto na segurança bancária.

O Estado de São Paulo Comitê é aposta em programa de energia nuclear
Leonardo Goy

O governo aposta na energia nuclear para garantir o fornecimento de energia no futuro, principalmente quando as chuvas não forem capazes de encher os reservatórios das hidrelétricas. Prova disso é a criação, na semana passada, do Comitê de Desenvolvimento do Programa nuclear Brasileiro. O grupo será coordenado pela Casa Civil e seu objetivo é traçar metas para o programa nuclear do País.

Um dos pontos a serem analisados por esse comitê é a localização das próximas centrais. Já é quase consensual que o Nordeste - onde, hoje, o Rio São Francisco já não oferece alternativas de geração hidrelétrica - deverá abrigar pelo menos mais uma usina.

A defesa da geração de energia em usinas nucleares vem crescendo no governo por diversos fatores. Um deles é econômico, já que a alta do preço do petróleo encarece a produção de energia em outros tipos de termoelétricas (como as movidas a óleo ou gás). Outro, é a segurança do abastecimento. Como o Brasil tem boas reservas de urânio, o combustível para essas novas centrais estaria garantido.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, quer, inclusive, abrir o mercado de geração de energia nuclear a empresas privadas, para estimular mais investimentos.

O Estado de São Paulo Reserva brasileira de urânio atrai a atenção de empresas
Decisão de acelerar programa nuclear reabre polêmica sobre quebra do monopólio na exploração do minério
Daniele Carvalho

O interesse em acelerar o programa nuclear brasileiro ficou evidente com as declarações feitas ontem pelo ministro das Minas e Energia, Edson Lobão, que planeja iniciar as obras da Usina de Angra 3 já em setembro. A decisão traz a reboque a polêmica sobre a quebra do monopólio na exploração de urânio no País. Um primeiro passo em torno do que promete ser uma longa discussão foi dado da semana passada, com a criação do Comitê de Desenvolvimento do Programa nuclear Brasileiro.

Dono da sexta maior reserva do minério no mundo, o Brasil começa a atrair a atenção de empresas privadas, nacionais e estrangeiras. A justificativa para o interesse é simples: o mercado de comercialização de urânio movimenta no mundo cerca de US$ 20 bilhões por ano. Um único quilo chega a custar US$ 100. Estimativas apontam que as reservas nacionais do minério podem ocupar o segundo lugar no ranking mundial.

Para o presidente da Indústrias nucleares do Brasil (INB), Alfredo Tranjan Filho, não existe monopólio na exploração de urânio no País. Apesar de a Constituição de 1988 restringir à estatal a exploração e a comercialização do minério, ele ressalta que o estatuto de criação da empresa permite a operação com parceiros privados, o que não era permitido à Petrobrás.

"A comparação com a Petrobrás não é correta. A INB pode operar por meio de consórcios, convênios e parcerias. Antes da abertura do mercado de petróleo, a estatal era obrigada a atuar sendo 100% dona de suas subsidiárias. Aí sim, existia monopólio", diz Tranjan.

Ainda de acordo com Tranjan, antes de se discutir a abertura da exploração e a possibilidade de exportação de excedente, é preciso que o País defina melhor qual será o seu programa nuclear. "Uma empresa privada que quer deter 100% de um negócio de exploração de urânio não interessa ao País. Não se pode tomar qualquer decisão nesse sentido sem antes sabermos qual programa nuclear brasileiro será adotado no longo prazo. Temos de pensar no consumo e nas reservas estratégicas", acrescenta.

Para a iniciativa privada, no entanto, o sistema de parcerias não é atraente. O coro pró-abertura é engrossado pelo Instituo Brasileiro de Mineração (Ibram), que defende a abertura do mercado tanto para as empresas nacionais quanto para grupos multinacionais.

"O Brasil detém reservas suficientes para seu consumo e para a exportação. A idéia de operar por meio de consórcios não é interessante porque as decisões tomadas na esfera governamental não acompanham o ritmo da iniciativa privada", diz Marcelo Ribeiro Tunes, diretor de Assuntos Minerários do Ibram.

Em meio à polêmica, uma terceira linha de defesa é apresentada pela Associação Brasileira de Energia nuclear (Aben), que propõe a abertura gradual do mercado. "É preciso rever a legislação. Antes de quebrar totalmente o monopólio, deve-se buscar caminhos alternativos. O primeiro passo já foi dado quando o INB abriu a concorrência para um parceiro privado explorar uma mina de sua propriedade (Santa Quitéria, Ceará)", diz o presidente da associação, Francisco Rondinelli.

Numa segunda etapa, diz ele, buscaria-se explorar o urânio em minas que não são de propriedade da INB.

O terceiro e último passo, de acordo com Rondinelli, seria a quebra total do monopólio, mas só poderia ser autorizada após um levantamento mais minucioso das reservas e o uso que será feito do minério no País.
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