sábado, 12 de julho de 2008

O Globo Espião aéreo para deter os aiatolás
Em resposta a teste de mísseis, Israel apresenta seu novo avião de espionagem
Renata Malkes

TEL AVIV. A demonstração do poderio balístico iraniano no Estreito de Ormuz levou os israelenses a uma guerra psicológica contra Teerã. Numa tentativa de medir forças com o possível adversário, a Indústria Aeroespacial de Israel (IAI), órgão governamental responsável pela produção de tecnologia aérea de ponta, apresentou ontem o novo avião-espião Eitam, equipado com um sistema eletrônico de última geração, capaz de voar longas distâncias a grandes altitudes sem ser detectado. O avião já está em uso pela Força Aérea desde fevereiro, mas de acordo com a rádio do Exército, foi exibido em público em resposta às ameaças iranianas.

Além de captar informações, a aeronave, segundo analistas, seria o "cérebro" de qualquer esquadrilha que viesse a atacar o Irã, atuando na supervisão dos modernos caças Sufa F-16I que comandariam a ofensiva aérea. A arma é baseada num jato Gulfstream de fabricação americana, que chegou a Israel em 2006 e, desde então, passou por uma reforma eletrônica, ganhando o nome de Eitam. Os israelenses desenvolveram um sistema de radar eletrônico capaz de operar em duas freqüências, o que torna praticamente impossível sua identificação. Segundo o porta-voz da IAI, Doron Suslik, trata-se do avião mais moderno da categoria, dono de mecanismo de autodefesa e capacidade de distinguir aeronaves amigas de inimigas. O sistema será revelado no domingo, durante uma exposição em Londres.

- Entregamos as primeiras unidades à Força Aérea em fevereiro. Todos os testes foram bem-sucedidos, e recebemos uma boa avaliação do comando militar - disse Suslik ao GLOBO.

Na base aérea de Ramon, no sul de Israel, o treinamento para um eventual ataque ao Irã tem sido intensivo. Em entrevista ao canal 10 da TV israelense, o comandante da esquadrilha de caças F-16I disse que pilotos e técnicos têm trabalhado não só em simulações de ataque, mas também de defesa. Especula-se que, em caso de conflito, os iranianos direcionem seus mísseis não só às grandes áreas urbanas, mas às bases aéreas, bombardeando as pistas para impedir o pouso e a decolagem das aeronaves.

O Globo Marcados para morrer
Um terço dos recifes de corais do planeta está ameaçado de extinção

Afetados por mudanças climáticas, poluição e pesca predatória, muitos corais estão em perigo. Um terço dos recifes de corais de todo o planeta está ameaçado de extinção. A região do Caribe é a que apresenta a mais alta concentração de corais ameaçados. É o que revela o primeiro levantamento global para determinar o seu status de conservação. Os resultados do estudo foram publicados hoje pela revista "Science".

- As descobertas são desconcertantes - afirmou Kent Carpenter, principal autor do estudo e membro do Programa de Espécies Ameaçadas da União Mundial para a Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês). - Quando morre um coral, morrem também outros animais que dependem dos recifes de coral para o seu alimento e abrigo. Isso pode levar ao colapso de ecossistemas inteiros.

Construídos ao longo de milhões de anos, os recifes de coral são o habitat de mais de 25% das espécies marinhas, configurando-se como o ecossistema marinho com maior diversidade biológica. Os corais constroem recifes em águas rasas tropicais e subtropicais e têm-se mostrado altamente sensíveis a mudanças em seus ambientes. Milhões de pessoas em todo o planeta dependem desses ecossistemas para o seu sustento, seja através da pesca ou do turismo.

Os pesquisadores apontaram como principais ameaças aos corais o aquecimento global e alterações locais decorrentes da pesca predatória; o declínio na qualidade das águas por causa da poluição e da ocupação desenfreada da zona costeira.

As mudanças climáticas, lembram os pesquisadores, aumentam a temperatura da água e a intensidade da radiação solar, o que leva à descoloração dos corais e a doenças que, freqüentemente, acarretam na mortalidade em massa desses corais.

- Esses resultados mostram que os corais que formam recifes enfrentam uma ameaça de extinção mais grave do que a de todos os grupos terrestres, exceto anfíbios, e são o grupo mais vulnerável aos efeitos das mudanças climáticas - diz Roger McManus, vice-presidente de programas marinhos da Conservação Internacional.

Acidez da água prejudica formação dos corais
Os pesquisadores prevêem que a acidificação dos oceanos é outra séria ameaça aos recifes de coral. Como os oceanos absorvem volumes cada vez maiores de dióxido de carbono da atmosfera, a acidez da água aumenta e o pH diminui, o que prejudica gravemente a capacidade de os corais construírem seus esqueletos, que formam as fundações dos recifes.

- Ou reduzimos nossas emissões de CO2 agora ou muitos corais serão perdidos para sempre - alerta Julia Marton-Lefèvre, diretora-geral da IUCN. - A melhoria da qualidade das águas, educação em nível global e recursos adequados destinados a práticas locais de conservação são também fundamentais para proteger as fundações dos valiosos ecossistemas que existem nos recifes de corais.

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